Conheça a Família das Abelhas

Uma Colméia de Abelhas pode conter entre quarenta e sessenta mil indivíduos. As abelhas podem ser de três tipos:

Operárias

  • Formam a maioria absoluta da colméia. Todas fêmeas, as operárias não são capazes de se reproduzir, mas possuem órgãos especializados para: coleta de alimentos, construção dos alvéolos e defesa do ninho;

Zangão

  • Contando algumas centenas, são os únicos machos da colméia e garantem a fecundação da Rainha;

Abelha Rainha

  • Única fêmea capaz de se reproduzir, é a Mãe de todos os outros membros da colméia. Em uma colméia, somente existirá uma Rainha por vez.

Larvas

  • São os bebês da colônia. A Rainha bota os ovos dentro das células hexagonais e ali operárias se encarregam da alimentação até a metamorfose. Os futuros zangões e Rainhas crescem em células especiais, e as futuras operárias crescem nas células comuns.

Biologia das Abelhas

Nesta seção, tratamos principalmente dos aspectos biológicos das abelhas, sua anatomia, fisiologia e ciclo de vida.

Ao lado, a imagem traz a morfologia externa das abelhas, seu corpo dividido entre cabeça, tórax e abdomen, quatro pares de asas, três pares de patas especializadas, um par de antenas, um par de olhos compostos, três ocelos (olhos para localização no escuro) língua (glosa ou probóscide) e ferrão.  O ferrão é retrátil, somente sendo utilizado em caso de perigo.

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Ao detalhar a cabeça, podemos perceber as muitas seções da antena, que tem como função principal a percepção dos cheiros, fundamental tanto para a localização de alimento, como para a localização da própria colônia pela presença dos feromônios exalados pela rainha. Esses feromônios, aliás, são responsáveis pela maior parte da comunicação entre as abelhas, alertando do perigo de invasores, indicando quando acasalar e quando produzir novas rainhas. Também por essa imagem, podemos ver os olhos compostos, grandes e divididos em células hexagonais, assim como os ocelos, pequenos e especializados para localização em ambientes sem luz. Sua língua é como um canudo, para sugar o néctar das flores e o mel armazenado nos favos.

Ao lado, detalhamos a anatomia interna de uma abelha operária. Sua circulação é aberta, ou seja, sem vasos sanguíneos. A circulação ocorre por difusão, ou seja, o coração bombeia o sangue para o corpo e o sangue retorna pela mudança de pressão interna. A oxigenação do sangue ocorre nesse momento, posto que sua respiração seja traqueal.

As abelhas não têm pulmão e sim, traquéias – orifícios de passagem de ar, por todo o corpo. O ar entra e sai por esses orifícios e nesse processo, ocorre a oxigenação.

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O sistema digestório das abelhas também traz suas peculiaridades. Seu estômago é dividido em duas partes, o papo, ou vesícula melífera, onde o néctar é armazenado durante o voo e o estômago, propriamente, ligado aos intestinos. Depois de efetuada a digestão, a excreção é realizada através dos túbulos de malpighi, sem separação de massa fecal e urina. As abelhas operárias sempre fazem suas necessidades em voo, fora da colmeia.

O sistema reprodutor das abelhas é subdesenvolvido nas operárias, que são estéreis. Somente a rainha tem a capacidade de pôr ovos e pode pôr até 3.000 por dia! Isso acontece, pois além dos ovários desenvolvidos, ela possui um órgão chamado espermateca, onde armazena espermatozóides dos zangões com quem se acasalou logo depois de seu nascimento, no “voo nupcial”. Ela pode acasalar com mais de um zangão, mas somente durante esse voo, depois disso ela realiza a fecundação dos ovos sozinha.

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Os ovos fecundados darão origem a novas abelhas operárias e ocasionalmente, novas rainha. Os ovos sem fecundação cruzada darão origem aos zangões, que nascem por partenogênese. Os órgãos sexuais do zangão se localizam dentro do abdomen e somente são expostos durante o voo nupcial (ao lado).

Nessa ocasião o zangão se atraca à rainha e normalmente, acaba mutilado no processo. Por esse motivo, os zangões comumente morrem após o acasalamento.

O ciclo de vida de um zangão adulto é de aproximadamente 30 dias, o ciclo de vida de uma operária pode chegar a aproximadamente dois meses, enquanto o ciclo de vida de uma rainha pode chegar até cinco anos. Também o ciclo de desenvolvimento, do ovo até a maturidade pode variar de acordo com a casta a que pertence.

A rainha, com sua super alimentação exclusivamente de geléia real, leva apenas 16 dias para se desenvolver completamente, enquanto que uma operária irá levar 21 dias e um zangão, 24 dias (quadro ao lado). Durante a fase larval, todas as larvas são alimentadas com geleia real, porém, as abelhas operárias e zangões recebem apenas uma gota por vez, enquanto as larvas selecionadas para se tornar rainha passam a se desenvolver numa célula especial, a realeira, bem maior que as células normais e cheia de geléia real ao ponto de a larva ficar embebida. Também as células de desenvolvimento dos zangões são maiores que as normais, porém não tanto como as realeiras e sem o estoque de geléia real dentro.

Quando as larvas estão prontas para a metamorfose, as operárias fecham as células de desenvolvimento (cria aberta) com uma camada de cera chamada opérculo (cria fechada). A larva então se transforma em pupa e permanecerá em dormência até que a metamorfose esteja completa.

Nesta fase, a abelha abre o opérculo com as mandíbulas e se integra à vida na colônia. Dizemos que este é o momento de nascimento de uma nova abelha (foto abaixo).

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Os zangões após nascer circulam pela colônia. Sua função primordial é de fecundar as jovens rainhas e ele passa a aguardar o chamado químico que indicará que essa hora chegou. Pesquisas recentes demonstram que além da reprodução, outra função importante do zangão é produzir calor no interior da colmeia. As abelhas geram calor quando querem, pelo movimento repetido dos músculos torácicos. Os zangões por terem esses músculos mais desenvolvidos, são capazes de gerar mais calor com menos esforço. Os zangões não desenvolvem ferrão.

A rainha não se torna rainha por determinação genética (hereditariedade), como ocorre nas sociedades humanas, mas sim, em função do desenvolvimento pleno proporcionado pela dieta exclusiva de geléia real. A rigor, “Rainha” não seria o nome mais adequado, mas como os apicultores da antiguidade já as denominavam por Rei, quando se descobriu que se trata de fêmeas, apenas transpuseram o gênero.

Ao perceber a necessidade de substituir uma rainha velha ou morta acidentalmente, as operárias selecionam algumas larvas com até três dias de vida e aumentam sua célula de desenvolvimento, transformando-a em uma realeira. Logo ao nascer, as rainhas têm como instinto primeiro eliminar a concorrência e assim, com seu ferrão liso, perfura as demais realeiras que encontrar, matando as larvas em desenvolvimento ali. Caso aconteça de nascerem mais de uma rainha ao mesmo tempo, elas travarão uma batalha fatal de onde apenas uma sairá viva. Ela então iniciará o voo nupcial, saindo da colmeia para o exterior enquanto exala o feromõnio de alerta para os zangões, que sairão em seguida.

As operárias são as abelhas que realizam quase todos os trabalhos na colmeia. Cada período de seu ciclo de vida é dedicado a uma tarefa, de acordo com o desenvolvimento de seus órgãos (abaixo).  Assim, logo que nascem elas exercem a função de faxineiras, limpando a célula onde estavam e em seguida, as demais células da colmeia, retirando impurezas e desinfetando com própolis. Dos 4 aos 13 dias de vida,  as  operárias ficam responsáveis por produzir geléia real e alimentar as larvas, a rainha e os zangões. São as nutrizes.

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Dos 14 aos 18 dias, suas glândulas ceríficas estão plenamente desenvolvidas e sua função é de reparar células danificadas, construir novos favos e opercular as crias e as células de armazenagem do mel, tornando-se construtoras. Entre os dias 19 e 20, sua glândula de veneno e ferrão estão plenamente desenvolvidos e as operárias podem exercer a função de guarda da colméia. Por fim, dos 21 dias em diante, as operárias exercem a função de campeiras, localizando e buscando alimento no campo para toda a colônia.

Quer saber como as abelhas fazem o mel?

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